Apr 16
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“No desenvolvimento não se pode queimar etapas” PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por kamba de almeida   
Quinta, 13 Março 2014 09:05

“No desenvolvimento não se pode queimar etapas”

Hélder Muteia foi um ministro-chave no consulado de Joaquim Chissano e candidato à sua sucessão

Em entrevista ao “O País”, esquiva todas as perguntas sobre política e refugia-se no combate à fome, seu actual trabalho

Hélder Muteia deixou o país em 2005, onde antes foi ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural. Desde que deixou o lugar, os titulares que o substituíram nunca foram estáveis...

Esta questão não deve ser dirigida a mim. Fui ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural e, antes de ser ministro, sou quadro da agricultura. Comecei a trabalhar em Chókwè, numa empresa avícola, e entrei também no Parlamento, onde fui presidente da Comissão de Agricultura, portanto, a minha vida esteve sempre ligada à agricultura. Depois vem o cargo de vice-ministro da Agricultura e, posteriormente, passo para ministro. Fui também ministro das Pescas. O que aconteceu creio que é a própria dinâmica do processo. Não posso fazer um comentário qualquer sobre isso e também seria uma pessoa muito suspeita para fazer esse comentário.

É ou não um cargo complexo o de ministro da Agricultura, sobretudo num país onde 37% da população ainda dorme sem comer?

É complexo, porque não só muita gente passa fome, mas sabe que 80% das famílias moçambicanas vivem da economia rural, que tem um pouco a ver com a agricultura. Então, digamos que essas pessoas têm sempre uma opinião sobre a agricultura. cada pessoa tem uma proposta, muitas vezes essas propostas não condizem com aquilo que são as prioridades da agricultura. Então, é difícil e é complexo, a agricultura é fundamental para alimentar as pessoas e também para a nossa base económica.

Moçambique tem cerca de 36 milhões de hectares de terra arável, mas a agricultura continua a ser de subsistência e de pouca produtividade. Onde é que está o problema da agricultura em Moçambique?

Referi, aqui, que no desenvolvimento não se pode queimar etapas, não podemos saltar de oito para 80, não é possível. Desenvolvimento é uma coisa que se vai construindo de grau em grau. Eu disse e expliquei sobre as grandes causas da pobreza em Moçambique, não foi só a história colonial, mas também a guerra que tivemos, que destruiu as infra-estruturas e também a esperança dos agricultores. E o papel do governo é ir construindo. e desenvolvimento o que é? é aquela situação em que hoje estou melhor e amanhã estou muito melhor que ontem. Não podemos estar a caminhar para trás. então, em moçambique, creio que a nossa meta deve ser nem se quer olhar para esquerda, paradireita, e fazer comparações, devemos ter uma visão muito clara daquilo que queremos para nós como povo, nação e como país e conseguirmos fazer aquilo que devemos fazer. E eu referi aquilo que são os quatro pilares do desenvolvimento da agricultura. não basta ter 36 milhões de hectares disponíveis, é importante também que tenhamos a tecnologia e termos extensionistas que elevam os camponeses, depois, ter crédito para os camponeses poderem investir na própria tecnologia. E temos que ter o mercado, que permite ao agricultor vender o seu produto. É preciso actuar na área do trabalho que é a terra, tecnologia e mercado.

Hélder Muteia foi um dos grandes mentores do PROAGRI, um programa que tinha como objectivo a investigação, a extensão agrária, apoio à produção e ao sector familiar. O programa faliu sem ter atingido nenhum desses objectivos, apesar de terem sido drenados milhões de dólares. Qual foi o falhanço do PROAGRE?

O PROAGRi não falhou, cumpriu o ciclo. Como havíamos definido, havia o PROAGRI um e o dois, que devia arrancar logo após o primeiro. Tudo são etapas, e muita gente nunca entendeu a moral da história do PROAGRI. Depois da guerra, tínhamos centenas de projectos, uns abriam hoje e fechavam amanhã. Havia um desenvolvimento totalmente desconcentrado, desprogramado. O que nós dissemos é que, com o PROAGRI, primeiro, queremos desenvolver a agricultura em Moçambique e criar um cesto comum em que todos os doadores que querem apoiar a agricultura coloquem os fundos lá e o governo também vai pôr o seu recurso no mesmo cesto. Portanto, quando iniciámos o PROAGRI, tínhamos nessa cesta cerca de 15 milhões de dólares por ano, e no final do PROAGRI tínhamos cerca de 45 a 50 milhões de dólares para investir exactamente nesta área a que me referi. Fizemos grandes investimentos para regular o acesso à terra, para que as pessoas adquiram os seus títulos, e fizemos grandes investimentos para podermos coordenar a parte dos recursos florestais, faunísticos, e na altura já havia tendências para dizimar a nossa fauna, mas também para desmatar a nossa floresta. Fizemos grandes investimentos no sentido de consolidar o nosso instituto de investigação agrária, portanto, o projecto com o propósito de criar um regime institucional. A revitalização do açúcar é produto do PROAGRI. Foi uma etapa de desenvolvimento que surgiu naquela época e que devia continuar.

O que é que emperrou, para não continuar?

Creio que o país não parou, a agricultura não parou. Houve mudança, naturalmente, do governo, mas os agricultores continuaram a produzir e as políticas ficaram lá, porque são feitas por pessoas.

Hélder Muteia acumulou experiências na Nigéria, Brasil e agora em Portugal. Qual é a sua aspiração quando terminar a missão? Pretende voltar para Moçambique?

A missão num ser humano nunca termina e o destino é que nos guia. Nunca imaginei, quando deixei quelimane, minha terra natal, nos anos 80, que algum dia pudesse chegar a Maputo. Foi a primeira vez que subi um avião e nunca imaginei que um dia podia ir a Nigéria ou Brasil, portanto, o meu futuro depende do destino. Ainda falta muito para pensar nisso.

Se, por acaso, no próximo mandato receber um convite para ocupar um cargo no governo, aceitaria?

São raciocínios infalíveis para o meu futuro e não quero comentar nada sobre o futuro. Nós temos nas Nações Unidas um princípio de não aceitar ocupar cargos no governo. O nosso compromisso é com o mundo e com o combate à fome.

Acha que o partido está preparado para a mudança geracional?

Sou membro do partido, mesmo sendo quadro das Nações Unidas, e não posso comentar nem emitir juízos de valor.

Disputou a corrida interna na Frelimo com o actual presidente da República. Era mesmo sério, ou melhor, ser presidente da República era seu objectivo?

Não posso tecer qualquer comentário sobre os caminhos do partido, muito menos juízos de valor. É verdade que, nessa altura, como disse, tive o privilégio de ser apontado como um dos possíveis candidatos, mas o processo indicou o candidato e, acima disso, não faço mais comentários. E o país vai seguir o seu caminho e continuará a seguir o seu caminho. Eu como membro das Nações Unidas não tenho direito de falar sobre as decisões políticas de um país, muito menos do meu próprio país. Mas dizer que cada país escolhe os seus destinos através de sugestões.

Vou insistir: a sua candidatura era mesmo a sério?

Esta não vou responder, isso é uma conjuntura política.

 
Chissano diz que a Renamo ainda não está esgotada PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por kamba de almeida   
Quinta, 13 Março 2014 09:03

Chissano diz que a Renamo ainda não está esgotada

O antigo Presidente da República, Joaquim Chisano considera que a Renamo ainda não esgotou a sua vitalidade política e é um partido a ter em conta nas próximas eleições, agendadas para 15 de Outubro.

 

Em Grande Entrevista a ser exibida hoje pela Stv,Chissano disse que apesar do MDM ter mostrado alguma pujança nas últimas autarquias, ainda tem muito a fazer para alcançar a abrangência da Renamo.

 

“A Renamo tem ja uma certa máquina no terreno e eu penso que ainda há muita força da Renamo. Portanto nós devemos tomar isso em consideração”, disse Chissano durante a entrevista, que vai ao ar a partir das 22 horas.

 
Chissano assume mea culpa na manutenção da Renamo armada PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por kamba de almeida   
Quinta, 13 Março 2014 08:59

Chissano assume mea culpa na manutenção da Renamo armada

Desarmamento da Renamo

 

O antigo Presidente da República, Joaquim Chissano, assumiu nesta terça-feira, parte da culpa pelo facto da Renamo, o maior partido político na oposição, continuar com uma facção armada, contrariando o espírito do Acordo Geral de paz de Roma, que estabelecia o desarmamento total doentão movimento “rebelde”.Em Grande Entrevista ontem transmitida na Stv, Chissano considera que a conquista da paz foi o seu maior orgulho, mas assume que o não desarmamento da Renamo foi o seu “maior erro” ao longo da sua governação.

“Foi excesso de confiança termos permitido que a Renamo ficasse com armas. Quando começamos a agir, a Renamo já tinha criado uma filosofia para se manter com armas” disse Chissano durante a entrevista.

Mesmo após perceber a filosofia de Afonso Dlhakama, Chissano diz ter optado pela persuasão, ao invés da força, por forma a evitar que o país regressasse a um novo estágio de guerra.

“Nós não sabíamos quantos homens, quantas armas escondidas a Renamo tinha. Preferimos jogar com o tempo, com a persuasão, com aproximação, e isso durou esses anos todos”frisou o antigo chefe do Estado.

 
Gás moçambicano no mercado em 2018 PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por kamba de almeida   
Terça, 11 Março 2014 19:08

O ADMINISTRADOR-DELEGADO da ENI, Paolo Scaroni, reiterou na cidade norte-americana de Houston, Texas, que o gás produzido em Moçambique estará no mercado em finais de 2018 e princípios de 2019.

Scaroni, que falava na “IHS CeraWeek”, disse que o hidrocarboneto será comercializado no mercado asiático.

A IHS CeraWeek 2014, a “semana da energia”, que se realiza anualmente na cidade norte-americana de Houston, no Texas, é considerada um dos eventos de elevada importância internacional.

A fonte revelou a informação no encontro havido recentemente no Texas, cujo epicentro dos debates gravitou à volta das mudanças tecnológicas e geopolíticas que nos últimos anos caracterizaram o mercado da energia, transformando completamente o cenário competitivo, com um forte impacto sobre os governos e as empresas.

Durante a edição deste ano a ENI (empresa italiana do sector petrolífero) participou na iniciativa como “Special Industry Partner”, com um foco especial sobre duas áreas de interesse: África e “Innovation & Technology”.

Os participantes analisaram os desafios que os produtores e consumidores de recursos energéticos deverão enfrentar durante os próximos anos.

Ainda no encontro, avaliaram também o ponto de situação sobre a forma com que mercados, normas e tecnologias estão a evoluir, para responder aos grandes desafios energéticos do futuro.

Nos últimos dias Moçambique tem estado na “boca” do mundo, tudo ficando a dever-se às grandes descobertas de gás natural anunciadas pelas empresas que estão a fazer pesquisas na bacia do Rovuma, em Cabo Delgado, nomeadamente a Eni e a norte-americano Anadarko.

Apenas para citar exemplo, em sete anos o potencial de gás natural em Moçambique passou de cinco triliões de pés cúbicos para mais de 170 triliões de pés cúbicos, com os números a serem catapultados pelas descobertas anunciadas na bacia do Rovuma pelas multinacionais Anadarko e Eni.

 
CORTES CONSTANTES E OSCILAÇÔES DA CORRENTE ELÉCTRICA: Avaria da linha na origem dos cortes PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por kamba de almeida   
Terça, 11 Março 2014 19:05

AS oscilações constantes e cortes prolongados de energia eléctrica que se têm registado nos últimos dias em vários bairros da cidade de Maputo devem-se a avaria verificada numa das linhas de alta tensão que alimenta a zona norte da capital.

A referida linha alimenta as subestações de Magoanine e do bairro Ferroviário. Neste momento, as zonas afectadas pelo fenómeno a nível da urbe são abastecidas através de uma ligação alternativa para garantir energia às subestações de Zimpeto, Marracuene e Manhiça, esta última considerada obsoleta.

Devido a este arranjo, segundo Neves Xavier, director da Área de Serviço de Cliente da Cidade de Maputo, vários bairros estão a sofrer restrições e oscilações no fornecimento da energia eléctrica porque a linha é obsoleta e não aguenta alimentar muitas zonas em simultâneo.

“Neste momento estamos a fornecer energia a todos os bairros da cidade de Maputo a partir de uma linha de alta tensão. Esta linha alternativa é obsoleta e não consegue alimentar devidamente as subestações que abastecem esses bairros”, disse Neves Xavier.

Os cortes e oscilações de energia chegam a prolongar-se por mais de 24 horas, alterando o curso normal da vida dos moradores daqueles bairros residenciais da cidade de Maputo.

Sem fazer referências a datas, Neves Xavier referiu que há um projecto em curso com vista à reabilitação da linha que se encontra num estado de obsolescência, o que vai melhorar o fornecimento de energia a vários bairros a norte de Maputo e não só.

Disse que o trabalho está a decorrer de forma lenta devido aos constrangimentos encontrados no terreno. “Já iniciamos com as obras de reconstrução da nova linha de alta tensão, mas os trabalhos estão a decorrer lentamente porque muitas zonas onde as torres devem passar, actualmente são quintas e a população não está a ceder”, disse Neves Xavier.

Nesse contexto, a EDM refere que o problema das oscilações constantes e cortes prolongados de energia naqueles bairros, particularmente à noite, poderão acabar.

 “FERROVIÁRIO” ÀS ESCURAS DESDE SÁBADO

Muitas áreas do bairro Ferroviário continuavam ontem às escuras pelo terceiro dia consecutivo devido a um corte registado no sábado.

Um morador que falou na condição de anonimato manifestou-se agastado e exigiu indemnização à EDM pelos prejuízos causados na sequência do corte no fornecimento de energia. “Perdi frangos, peixe e carne devido ao prolongado corte que se verificou no sábado. Recorri ao gelo no domingo, para conservar as coisas, mas debalde pois acabaram-se deteriorando”, disse a nossa fonte ao fim da tarde de ontem.

 


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